segunda-feira, 24 de junho de 2013

O de sempre, pra sempre!!

De novo, eu volto aqui pra escrever sobre o meu Vô. Agora, já se passou quase um ano. Há um ano atrás, eu tava começando a viver o período mais difícil da minha vida. Começando, porque ele ainda tá longe de acabar...
Quinta-feira, dia 20, eu saí de férias de novo. A vontade era pegar o primeiro ônibus e vir pra Barretos, como eu sempre fiz. Mas não consegui.. Obrigada trânsito por ter me ajudado nisso! Mas eu não conseguiria ter tanta força pra fazer isso... O "normal" de sair de férias era encontrar o meu Vô me esperando e querendo saber como foi o semestre, se fechei em tudo e falando "tá vendo? já foi mais um, tá passando rápido e daqui a pouco vc volta pra cá". Voltar do intercâmbio nas férias não teve o mesmo sabor. Não teve porque era tudo diferente, era uma volta que eu nunca tive (e uma falta que eu nunca tive também).
Cheguei na sexta-feira e foi horrível... Toda vez que eu venho e não acho ele, dói. Mas essa dor bateu mais forte... foi a primeira vez que eu me vi realmente desamparada. O dia não acabava e os meus pensamentos foram refazendo o que tinha há um ano atrás. O começo da conversa, ele não acreditando que a pequena realmente ia pro outro lado do mundo e a carinha dele de desespero de não saber se ia conseguir lidar com a saudade. A tal força de um gigante que ele tantou falou no dia e eu não tinha noção do que era, os conselhos de que o que estaria por vir iam machucar muito mas era necessário... Mal sabia o que realmente aconteceria!
 Sempre que eu pensava em perder alguém, nunca cogitava a ideia de perder o meu Vô. Por mais que ele já tivesse passado por fases ruins e melhorasse, por mais que tudo indicava que aos poucos, as coisas iam acontecer, eu nunca me preparei realmente pra isso. Fui forte, mais do que eu imaginei pra isso.. Ouvir ele falando pra mim naquela semana angustiante de hospital que ia morrer foi a pior cena da minha vida, entreguei pra Deus e deixei o meu coração de lado. Por um bom tempo, eu consegui fazer isso. Ter ido pra Madrid me ajudou como nunca a adiar o sofrimento. O problema maior está agora... Depois de um ano, eu não consigo mais "deixar pra lá", a dor dói como nunca, como se tivesse acontecido ontem e só eu não percebi. Parece que é só por agora que a minha ficha realmente caiu...eu perdi e não consigo lidar com isso. É estranho que por mais que já se tenha passado um "bom" tempo, eu ainda tenho a certeza de que faz pouco, é como se sentisse que ele sempre está por aqui. Não consigo ainda ficar muito tempo sozinha nessa casa, sempre que fico, já me pego indo no quarto dele procurar e não tem ou pensando que se a casa tá muito quieta, ele deve estar aprontando alguma. Procuro, procuro e não acho... Não dá para explicar muito bem o que o Bisma é pra mim... é mais que Vô, mais que pai, acho que mais que qualquer coisa que eu já senti na minha vida, talvez seja por isso que eu escolhi o infinito pra tatuar em homenagem. Cheguei no final de junho sabendo que esse seria um dos meses mais difíceis até agora...é a volta pra aquilo que me tirou o que eu mais amo, é a saudade que machuca como nunca e a falta que eu percebo que não tem como remediar. Eu sei (e ele com o seu espiritismo me ensinou) que a saudade dói nos dois mundos.. tento imaginar como será para ele essa nova fase, o quanto será que eu faço falta e o que ele pensa de tudo que anda acontecendo na minha vida. Ainda não consigo pensar muito bem na certeza de não ter a presença na formatura e principalmente, no maior combinado que era o casamento.
Esse final-de-semana não poderia ter sido pior, quando eu acho que as coisas vão finalmente, começarem a tomar um rumo certo elas me mostram que eu tava completamente enganada. Daqui três dias, completa onze meses que parecem dois e ao mesmo tempo, vinte.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Cinco versus cinco

Por coincidência, eu resolvi abrir o blog na mesma data da última postagem e três meses depois, eu volto a escrever.
Nunca tive um começo de ano tão estranho mas também nunca senti tanto a falta de alguém. Ter voltado pra vida real foi e é difícil, a síndrome do regresso afeta muito. Eu voltei pensando que as coisas seriam como o planejado, como o esperado por algum tempo.. E não foram nem um pouco! Talvez tudo esteja tão estranho pela co-relação das coisas com os meus sentimentos. Resumo esses cinco meses em cinco palavras (coincidência, não?): Coragem, medo, indecisão, ansiedade, espera..
Tá aí, os sentimentos que mais me atormentam. Ter a coragem mas o medo e a indecisão sempre andam juntos. Aquela hora em que você decide que quer uma coisa e pouco tempo depois já não sabe mais se vale a pena, se é isso mesmo que vc deseja ou se realmente quer deixar tudo o que vc já tem um pouco de lado pra tentar algo novo. Ao mesmo tempo que não querer, significa "perder" e aí, a cabecinha dá um nó.
E justo eu, que sempre gostei das coisas bem resolvidas e rápidas, tenho que aprender a lidar mais uma vez, com a ansiedade e a espera.
A maior parte das coisas que eu planejei pra esse primeiro semestre não aconteceu.. Maio já começou e em um piscar de olhos estamos no final de junho. Mas, como nunca perco as esperanças, acredito que ele ainda possa me surpreender positivamente e rezo pra isso acontecer.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

O novo começo, de novo!

 Há quase um mês o meu intercâmbio acabou... Com muita dor no coração mas acabou. Hoje, se eu pudesse voltar no tempo teria seguido o conselho do meu pai no Consulado e ter tirado visto de um ano. Mas é a vida.. eu escolhi tirar só seis meses, aproveitei o máximo que podia sem deixar meus princípios de lado. Fui pra faculdade, aturei professor me ignorando por ser intercambista, não deixei de ir pra balada quando podia mas também deixei de sair alguns finais-de-semana que tinha 2 ou 3 provas na semana. Curti com as meninas da minha casa e com todos os meus amigos, bebemos e arrumamos baladas vips. Conheci pessoas de quase todos os continentes, aperfeiçoei o meu espanhol e apanhei mais um pouco com o inglês. Não me arrependo de nada do que fiz ou que deixei de fazer durante esses 5 meses. Segui sempre o pensamento de fazer o que tinha vontade. Deixei de curtir algumas coisas e pessoas por respeito ao que eu sentia. Viajei pra  quase todos os lugares que eu pude, comprei algumas das coisas que o meu consumismo me pedia e fui feliz, como há tempos não era. Aprendi a lidar com a saudade verdadeira e aquela fantasiada, as duas doíam mas agora eu compreendo o que é real e o que não é. Minha maior saudade continua aqui, forte como sempre.. Talvez ninguém consiga compreender a falta que o meu Vô faz. É tão estranho pensar que ele está no meu passado e que daqui pra frente ele vai ver tudo de um outro ângulo. Mas por outro lado, eu sinto que sempre tem alguém comigo me protegendo e me aconselhando pelos sonhos.
 Daqui há 10 dias é hora de voltar pra São Paulo. E agora só faltam mais dois anos. Desde que eu mudei pra lá muita coisa aconteceu, foram dois anos muito intensos e esse já começa com a mesma impressão. É hora de começar a minha carreira profissional mesmo.
 Por agora, eu só preciso de paz e tranquilidade. Agradeço á Deus por tudo que me aconteceu nesses últimos tempos. Por toda a vitória de ter conseguido fazer meu intercâmbio, por todas decepções e todos os aprendizados. A vida segue e é hora de começar mais uma vez! 

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Bando de loucos e apaixonados.

Mais uma vez o Corinthians surpreende, de novo ele deixa toda a população boquiaberta pela irreverência da sua torcida. Torcida essa que transformou o amor por um clube em uma religião. Ser corinthiano é muito mais do que amar o clube e torcer por ele.. É estar ciente de que muitas derrotas virão mas continuaremos alí independente da situação. Corinthiano é assim, sofre até o último segundo do jogo, grita, chora, briga e continua torcendo. É raro o jogo em que o coração não fica na boca, em que os 90 minutos são fáceis e o juiz não é o alvo dos chingamentos. Não tem como entender (e é extremamente difícil explicar) a sensação de ser corinthiano. Uma das maiores torcidas do Brasil, a maior do estado e que tem as pessoas mais loucas. Sabe aquela sensação de estar cegamente apaixonado? É isso que o corinthiano sente, uma paixão cega pelo seu time. Esse foi um ano de muitas conquistas e de muita mudança para os torcedores. Foi a hora de encher o peito com orgulho e dizer "A Libertadores é nossa"...quantos choros, quanta comemoração e emoção. E agora estamos frente a mais um desafio, o Mundial. Mais de 30 mil torcedores vão atravessar o continente pra acompanhar o jogo, toda uma nação estará concentrada olhando cada mínimo detalhe e rezando.
É meus amigos corinthianos, chegou a hora de conquistarmos o mundo....


Fotos retiradas do Instagran de Henrique Girardi (@henriquegirardi) 

domingo, 2 de dezembro de 2012

O mês dos encantos.

Enfim dezembro chegou, o mês mais esperado por uma grande parcela da população. Por si só ele já tem todo um encanto, mês de comemorações, de sonhar, de pensar em tudo que aconteceu nesses doze meses de 2012 e fazer planos pro próximo ano. Hora de enfeitar a casa com decoração de Natal, de presentear as pessoas queridas e de sentir a magia do natal. É, esse ano as coisas serão diferentes.. Não estarei decorando a casa e nem fazendo o jantar de Natal maaas pensamos em dar um jeitinho nessa vida de intercâmbio para ficar com cara de final de ano.
 Guardamos todas as rolhas dos vinhos que tomamos e agora, elas vão virar uma árvore de natal pequena. E também vamos fazer uma ceia com amigo-secreto, no dia 13 ou 20.
O Natal sempre me fascina de uma maneira toda especial e esse promete ser mais especial ainda. Estar longe de casa dá uma saudade grande, ainda mais que não tenho muito a noção de que será o primeiro sem o meu Vô. Mas só de pensar que vou voltar pra Paris, e o melhor..passar o Natal lá com as meninas já fico emocionada!!
Ver que dezembro chegou dá um frio na barriga. É o sinal de que o sonho está chegando no final e de que é hora de voltar pra realidade. O meu maior problema é sempre com o medo do novo, de não saber o que me espera.. e aí eu volto na mesma ansiedade de sempre por não saber como as coisas estarão quando eu enfim, voltar pro Brasil. Agora faltam poucos dias, 42 pra ser mais exata, e é o tempo de não saber se quero que o tempo passe logo ou paralise. Por um lado, queria que passasse voando pra voltar logo e matar as saudades mas por outro, é o final do intercâmbio, da convivência com algumas pessoas e o fim da Casa das Fátimas.




domingo, 21 de outubro de 2012

Aniversário, Salamanca e Barcelona


Perdão com o "desprezo" com o blog, aqui anda bem corrido, muitos trabalhos na faculdade e poucas horas vagas... Vou dividir em partes tudo que aconteceu nos últimos tempos, desde o final de setembro.

Parte I - Meu aniversário

Bom, meu amigo Guilherme veio pra Madrid passar essa data comigo. Ele chegou na sexta, junto com a chuva. Assim que deu meia-noite as meninas e ele já vieram me dar parabéns e fomos pro Hook, o barzinho mais "brasileiro" de Villa. No sábado fomos eu e a Li mostrar a cidade pro Gui, chegamos um pouco tarde em casa e com uma festa surpresa!!!! Foi lindo, emocionante.. agradeci um milhão de vezes à Deus por ter feito amigos tão especiais em tão pouco tempo... E depois da festa, Teatro Kapital!!!


Parte II - Viagem pra Salamanca

Depois de ficar a semana inteira brincando que iríamos pra Salamanca, na quinta a tarde eu e as meninas da minha casa decidimos ir. Olhamos os horários de trem, começamos a nos planejar e partimos. Imagine uma viagem que começou um fiasco e terminou muito boa... Perdemos o último trem da sexta, o aluguel de carro já estava fechado e a gente ali, sem saber o que fazer. Depois de muito stress, frio e risadas, alugamos um carro no sábado pela manhã. A cidade é linda, tem igrejas maravilhosas e as baladas são muito boas!! No domingo passamos por Ávila e Segóvia. Em Ávila ficamos pouco, só vimos o "Los Cuatro Postes", um monumento religioso que são quatro postes com uma cruz no meio. Já em Segóvia vimos a Catedral e a Acueducto. 

Igrejas, Plaza Mayor e Casa de las Conchas de Salamanca



Los Cuatro Postes de Ávila

Acueducto de Segóvia 


Parte III - Barcelona

Aproveitamos o feriado de 12/out pra ir conhecer a "cidade de Gaudí". Como é linda, meu Deus!!! Barcelona inteira respira Gaudí, é uma cidade extremamente apaixonante. Uma das coisas que eu mais queria fazer desde que vim pra cá era ir na Sagrada Família.. é uma emoção única!! Mas como tem uma "arquitetura diferente" ou você fica encantado ou detesta... Barcelona pra mim é um dos lugares que não dá pra ficar sem visitar! As praias, o Parc Güell, Plaza de Catalunya, Casa Battló, o Estádio do Barça... eu não consegui ver tudo, em 3 dias não dá tempo mas valeu muito a pena ter ido!!

Sagrada Família

 A vista de Barcelona pelo Parc Güell

 Casa Battló





sábado, 22 de setembro de 2012

79 anos!!

  Depois de uma semana complicada "enfim" chegou o dia do seu aniversário. Hoje, 22 de setembro, você faz 79 anos. Na minha melhor imaginação sobre como seria o céu, creio que tem uma festinha te esperando... E olha que se a Vovó for esperta, ela ficou observando as dicas de como é um aniversário pra você...muita coxinha, bolo de massa branca, brigadeiro de colher com confeite e claro, alguma coisa do São Paulo!
 Seu aniversário hoje, daqui cinco dias completa dois meses que você se foi e daqui sete dias é hora de comemorar o meu aniversário...quanta coisa em uma semana só! Falando em semana, essa foi complicada... acho que foi nela que eu realmente descobri o quanto saudade e amor machucam. Eu tentei ser forte como sempre fui, tentei não chorar, tentei dormir tranquila, mas não deu...por dentro tinha uma dor me agredindo (olha, uma palavra que há tempos não ouço né Bismark?!) Hoje eu resolvi colocar aqui, tudo o que a gente realmente significa um pro outro. Vidas passadas, extensão do eu, ligação fora do comum...não sei ao certo qual será a nomenclatura ideal para descrever a nossa relação. Sei que sempre foi assim. um pelo outro, um brigando com o outro, eu fingindo que não ouvia enquanto ele chamava, ele fazendo de tudo pra agradar, quantos momentos juntos, quantas recordações! É um amor acima de tudo, tão forte que virou o meu infinito.
  Eu acredito fielmente em algumas coisas do espiritismo por conta do meu Vô e acredito também que algumas coisas a gente pode "aceitar" pra chegar mais rápido. Desde que decidi que o meu intercâmbio seria em 2012, que não dava mais pra adiar, já sentia o que estava por acontecer...não sei explicar o porquê, talvez pelo fato de conhecer nós dois o suficiente pra entender que a nossa saudade não iria suportar essa distância gigante. Se estando em São Paulo já era difícil algumas semanas que eu sabia que ele não estava bem, imagine do outro lado do oceano?! E assim fui eu, resolvendo tudo na calada, adiando a conversa com ele em que eu contaria os meus planos de estudos. Até que no primeiro dia de férias, 22/06, sentamos no quarto e tivemos a nossa conversa. Aquele momento só nosso, onde ele me falava que eu precisaria da força de um gigante pra aguentar o que estaria por vir e eu pedindo para ele ficar forte pra conseguir aguentar e realizar o meu sonho. O Bismark e a Mariana em uma conversa que as palavras não queriam sair por medo do que estava por vir. Ironia do destino ou não, um mês depois dessa conversa ele estava internado.
  Eu prefiro as coisas assim, agradeci muito à Deus por ter acabado o sofrimento mas essa história de nunca mais é complicada e extremamente dolorida. Eu prometi que ficaria bem, sei que alguns dias não consigo e desabo a chorar mas hoje é dia de comemorar. Dessa vez de um modo diferente...eu não vou chegar em Barretos e preparar sua festinha inteira, não vou escolher uma roupa bonita pra mim e pra você, nem te passar perfume, arrumar seu cabelo e ganhar o primeiro pedaço do bolo, como em todos os anos. Mas eu sei que onde quer que você esteja, tem uma festinha linda te esperando!! Aqui, eu vou fazer um dos seus pratos prediletos...macarrão a bolonhesa e ah, com bastante molho! hehehe
 Depois de uma noite inteira sonhando com você e ganhando aquele abraço gostoso de sempre, eu te desejo um Feliz Aniversário, meu amor! Mais uma vez, obrigada por todos os ensinamentos, por toda a lição de vida, por ter aceitado tão bem a minha forma de te homenagear no meu corpo e por ser esse meu maior amor.
  "De todo o amor que eu tenho, metade foi tu que me deu."

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Toledo, uma cidade apaixonante.

 Há onze dias fui visitar Toledo, uma cidade perto de Madrid ( 30 min de trem e aproximadamente 1h de ônibus) que já teve seus dias de "glória". A cidade relativamente pequena foi reconhecida por ser a capital, até que  Filipe II mudou a corte para Madrid. Com isso, houve um declínio nunca recuperado.
 Assim que cheguei em Toledo, tive a sensação de estar em uma cidade cenográfica, é tudo muito lindo e muito apaixonante. Um dia é suficiente pra conhecer os pontos turísticos da cidade. Como uma parte da cidade é montanhosa, uma boa dica é pegar aqueles ônibus "city tour" em que você pode descer em um determinado ponto e retornar o dia todo. É uma ótima maneira de conseguir ver tudo em um tempo bom e sem subir as ladeiras íngremes.
O ônibus "Toledo City Tour" por 8,00 euros você pode passear quantas vezes quiser por um dia.
 Uma das coisas mais bonitas de Toledo é a Catedral. Ela fica na Plaza del Ayuntamiento e para visitá-la inteira, paga 8,00 euros. Quem não quiser pagar, pode entrar em um pedaço pequeno, rezar um pouco e acender uma vela por 0,10 cents. No lado de fora da igreja, há a representação da Santa Ceia, veja em imagem abaixo:


Veja a cidade sendo cortada por uma curva do Rio Tejo: 

Inclua Toledo nos seus próximos planos de viagem, é uma cidade extremamente linda e em um única dia é possível conhecê-la.



terça-feira, 11 de setembro de 2012

O começo do começo.

 Depois de 12 dias aqui, posso dizer que já sinto que estou na "minha casa". Realmente não parece que faz tão pouco tempo que estou aqui..tenho a sensação de que já estou há mais de um mês! Aqui escurece lá pelas 22h e como o dia é longo, a sensação de ter mais tempo aqui é compreensível. As coisas são muito diferentes.. tem horas que não sei se algo tem no Brasil, se eu conheci aqui ou se já sabia. Aliás, depois vou tirar fotos e colocar algumas coisas como exemplo pra vocês verem...
 Em pouco mais de dez dias de intercâmbio eu já aprendi muitas coisas. Coisas pequenas que antes você não dava tanto valor, agora tem um significado enorme. Do mesmo modo que coisas "grandes" se tornam mesquinhas. Ter uma casa pra seis mulheres não é fácil, mas também não é muito difícil. Estamos nos dando bem e nos dividindo na limpeza. Uma regra básica para manter o respeito e a harmonia na casa: cada uma fazer o que realmente tem vontade. Se for fazer algo que não queira tanto pra na metade do passeio estar com cara fechada, não vá. Respeitar as diferenças é algo muito importante. Somos 2 paulistas e 4 baianas, há muita diferença cultural, muito respeito e muita afinidade. Quantas e quantas vezes não nos juntamos no quarto ou na cozinha pra ficar conversando e dar risadas...
 Eu tô aproveitando muito e agradecendo à Deus por estar aqui. Em uma fase difícil da minha vida eu tenho a oportunidade de estar conhecendo uma nova cultura e poder estudar aqui, em um país que sempre gostei muito. Alguns dias fico imaginando o quanto meu Vô deve estar orgulhoso por ver que a pequena dele teve a força de um gigante e chegou aqui, firme e forte (na medida do possível). Penso nele sempre, todos os dias e noites, sinto ele aqui perto de mim... o que me conforta muito! Ver que estou vencendo meus medos é algo que me deixa muito feliz e sei que orgulha aqueles que acreditam em mim... ter chegado até aqui, me deixa até emocionada! Só entendi e acreditei que moraria aqui por um tempo, quando consegui dar um ar de casa. 

domingo, 2 de setembro de 2012

Novo lar.

Há algum tempo eu venho relatando aqui a ansiedade em que estava ao pensar que meu intercâmbio estava chegando... Pois é, chegou e aqui estou eu, em Villaviciosa de Odón (cerca de 20min de Madrid)!!
Foi difícil me despedir de todos, aliás, nem consegui me despedir da maioria. Mas prefiro assim, despedida é algo muito chato... O aeroporto foi tranquilo, só foi meu pai e eu sabia que ele não iria chorar! As dez horas de voos foram MUITO cansativas..a poltrona que não ajudava, o tempo que não passava e o ipod que acabou a bateria!!! Aproveitei pra dormir né? Depois de andar muito conseguimos pegar as malas e encontrar as meninas da Go Tour (agência) para ir pro ônibus e vir pra Villa. Chegando em Villa, o motorista do ônibus nos largou no meio da rua e tivemos que descer com todas as malas!!! Foi um caos.. chegamos na imobiliária e ficamos quase duas horas esperando pra assinar o contrato. Sorte que a nossa casa é bem do lado. Enfim, escadas e malas não combinam muito bem. (ainda mais quando meu pai não está incluso nisso) hahaha
 O primeiro dia foi um pouco estressante por conta da casa e coisas que a imobiliária ainda não tinha arrumado. Mas ok, o começo é sempre mais complicado. Estou em uma casa com mais 5 meninas mas ainda falta chegar uma. Somos eu, Aline, Andrea, Mari, Sabine e a Jéssica que ainda não chegou. 
Pouco a pouco estamos arrumando tudo, divido o quarto com a Aline, estamos esperando instalar o guarda-roupas mas já fomos organizando as coisas para dar uma cara de "casa" e não de viagem. Ainda não chegou a internet na nossa casa, então vou no locutório ou venho na casa das minhas amigas que já tem. Mas voltamos ao fato de que início é tudo mais difícil.
 A cidade é linda, pequena e aqui, a maioria das pessoas ainda pratica a "siesta" que é assim: das 13:30/14h até 17:30/18h as lojas fecham para a soneca depois do almoço. O horário ainda é um pouco confuso pelo fato de escurecer muito tarde e ainda me perco muito...  Amanhã já temos aula na faculdade e é bom que vamos ver como é..
 Já fui uma vez pra Madrid, lá é lindo também..tudo parece um sonho! E ah, claro que não ia deixar de falar isso..as roupas na maioria são muito baratas aqui.. tem um tempo de rebajas (liquidação) aqui, pena que chegamos bem no fim hahaha Mas ainda deu pra aproveitar algumas coisas...
 De resto, esse é o tempo de adaptação em tudo. Comida, costumes, horário, clima... pouco a pouco vou me acostumando com tudo isso! 

Plaza Mayor em Madrid


segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Sonhos, realidade e saudade.

Fiquei pensando hoje de manhã nessas férias e olha, tiro o chapéu pra você, férias! Me pregou uma peça que não teve nem graça, que me tirou um pouco do chão e como sempre, tive que me reerguer em tempo mínimo. O maior aprendizado das férias foi que o amor resiste a tudo e tem várias maneiras de senti-lo. O  meu amor pelo meu Vô é algo tão grande que eu consigo ter o entendimento de que foi melhor assim. Claro que a saudade dói, claro que eu tenho crises alguns dias. É algo normal.. Algumas pessoas são tão maldosas que deixam perguntas anônimas no ask.fm falando sobre o rodeio e relacionando o nome do meu Vô. Eu até pensei no começo, logo que tudo aconteceu, como seria esse mês, se eu teria condições emocionais de ir, se eu ia querer ir e resolvi "deixar o rio correr". Acontece que eu nunca fui uma pessoa triste, que se descabela em meio a uma situação complicada. Ao contrário, é nessas horas que eu junto as minhas forças e me supero. O meu Vô me conhece como ninguém, ele sabe que tristeza não combina com a Mariana dele. Ele sabe que eu não faria algo se não me sentisse bem e é isso que eu tô fazendo. Eu tô bem, pra que vou ficar fingindo que não?
Essa semana começou com gostinho de despedida. É estranha essa situação, querer que o tempo pare e ande rápido ao mesmo tempo. O desconhecido assusta um pouco né? Outro país, outra cultura... assusta mas eu tô pronta. Eu prometi que eu seguiria a minha vida e ficaria bem e o que eu prometo, eu cumpro. Ainda mais para o grande amor da minha vida. Obrigada meu Deus, por ter atendido meus pedidos, mesmo que tenha sido de uma forma meio conturbada. Ao menos assim eu vou com a cabeça tranquila. Eu perdi o meu Vô fisicamente, mas ganhei uma estrela. Ainda sinto o amor aqui, vibrando, forte como sempre. A maior falta são os carinhos, o abraço pela manhã, o bom dia animado...mas eu sei que eles estão aqui, bem do meu lado, comigo o tempo todo. Não vou desistir do meu sonho e não vou deixar de seguir a minha vida... Eu não faria algo que fosse contra o que eu estou sentindo no momento e que magoaria meu Vô de alguma forma. Eu só me importo com a opinião de pessoas que valem a pena e eu sei que estou sendo motivo de orgulho para elas, principalmente por em momento algum ter desistido de tornar o meu sonho em realidade. 

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Mais da metade cheio

Deus atendeu o meu pedido, levou o meu infinito pro lugar que ele merece. Não sei bem o porquê mas eu tinha certeza de que isso aconteceria na sexta e aproveitei a quinta pra ficar com ele no hospital por um bom tempo. Aproveitei o meu último dia, não que eu queira ficar lembrando desse dia, pq as lembranças que eu quero não envolve essa última semana de sofrimento. Mas foi assim, a nossa ligação não acabou..nosso amor então, impossível de acabar. Por incrível que pareça, eu tô bem! Ainda brinquei que parece que já faz um mês, não sinto mais aquela dor sufocante..talvez por ter chorado tudo que eu precisava no velório. Agora tá uma saudade gostosa, uma vontade de dormir pra sonhar com ele. Mudar a sala de tv e o quarto dele foi um ponto importante, deu uma amenizada. É engraçado que tudo lembra ele, a casa ainda respira Bismark e vai respirar por um bom tempo. Na hora que foi acontecer, eu mandei uma mensagem pra uma amiga dizendo que Deus podia levar ele logo e cinco minutos depois, Ele me atendeu. Pra sair de casa, o Theo começou a chorar..pois é, cachorro chorando; uma lágrima saindo do olho direito dele que cortou meu coração. Eu fui pra lá achando que era só os batimentos baixos e o balão de oxigênio, que nada...eu já sabia  o que tinha acontecido. E como era de se esperar, ele não me deixou ver. Foi antes que eu chegasse...
E como dói aquele momento...uma dor sufocante, parece que falta o ar, que cortaram meu coração. Depois eu fui amenizando, a noite só tinha uns picos e a madrugada foi tranquila. Agora eu me apego nas lembranças boas e tô me cuidando, como eu sei que ele gostaria que eu fizesse. Cada dia é um dia e as forças tão aumentando conforme o tempo passa. Eu não perdi o meu amor, ele só passou pro outro lado. Eu ganhei um anjo, alguém que vai me guiar sempre. Não deixei de pedir bença quando vou sair, a diferença é que eu não escuto a resposta mas sei que tá me protegendo. Talvez o sentimento de dever cumprido esteja ajudando a me confortar, hoje eu posso dizer que não me arrependo de nada que perdi pra ficar com ele. Nenhuma festa, churrasco, bar...valeu muito a pena não poder ter ido em alguns pq tinha que dar banho nele ou ficar olhando. Se fosse possível, eu faria tudo de novo e de novo e de novo...

Lembranças de uma vida toda, dos sábados indo na feira, das épocas de Festa do Peão em que ele me ensinava os versinhos e dançar catira pra fazer na escola, de ouvir Nelson Gonçalves e Dalva de Oliveira pra ele cantar, de fazer macarrão com bastante molho pra ficar do jeito que ele gostava, de comer pamonha e curau, de brigar quase todo dia pq ele deitava no chão pra fazer exercícios e por último, de ter mostrado o meu primeiro telejornal e ver a carinha de orgulho dele...ô saudade!!!

Obrigada meu Deus, por ter atendido os meus pedidos. Por mais que doa ficar sem ele, dói muito mais ver sofrendo. Obrigada a todos que ficaram comigo nesse momento difícil...aos que foram, aos que ligaram, aos que mandaram mensagem, aos que estão longes mas de alguma forma falaram comigo. Obrigada pela família que eu tenho, essa que está cada vez mais unida, que a morte do meu Vô não abalou em nada, ao contrário, só nos fortaleceu e uniu.

Obrigada por ter me dado a chance de passar esses quase 20 anos com uma pessoa incrível que era o meu Vô, o meu mecânico, meu jogador da Portuguesa mais conhecido como Cabecinha que sabia que faria o gol e nem olhava pra trás, com o meu maior amor do meu mundo, o meu infinito.

De onde quer que você esteja, eu só posso te agradecer por tudo, por ter me feito quem eu sou, por ter me ensinado tantas coisas e por estar sempre ao meu lado. Por você, como eu prometi, eu fico bem e continuo a minha vida.

"Naquela mesa tá faltando ele e a saudade dele tá doendo em mim"


                     

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Cheio ou vazio???

 Eu sei que um dos últimos posts foi sobre o meu Vô, mas a vida é engraçada, como sempre dá umas reviravoltas que você não imagina que pudesse acontecer. Há uma semana atrás, eu tava indo pra SP pra tirar meu visto e na quinta, meu Vô passou mal. Cheguei na sexta, sem saber de nada e no sábado ele internou. De lá pra cá, só aflição e angústia. Estranho como em um mês ele passou do alto da montanha ao fundo do mar, há um mês atrás eu estava contando do intercâmbio e hoje me vejo aqui, sem saber quais os próximos capítulos dessa novela onde os espectadores não veem a hora de terminar.
 Sempre que eu pensava sobre esse momento, eu imaginava uma Mariana sem chão, sem estrutura e frágil. Hoje, que infelizmente eu estou vivendo esse momento, eu vejo uma Mariana que surpreende até a mim mesma. Não sei de onde vem força, garra e vontade que esse tormento acabe.
 Quase uma semana que parece um mês, é assim que defino esse tempo. Aliás, um dia já parece uma eternidade. Essa enrolação dos médicos, essa história de não ter o que fazer, só ficar ali, olhando...acaba comigo por dentro! Por dentro, porque por fora eu tô aqui, firme e forte pra ele ver que eu tenho a tal força de gigante. Quem diria...meu Vô me conhece mais do que eu mesma, ele já sabia que eu aguentaria o tranco, que a tal força de gigante que ele me disse há um mês atrás apareceria e não me deixaria esmorecer.
 E mais uma vez, ele me ensinou uma lição super importante...a de entregar à Deus aquilo que eu mais amo. Eu não sei quantas vezes pensei nisso e achava que não daria conta, até que o momento chegou e eu dei, consegui entregar de coração. Consegui pensar que o melhor seja feito e pra ser sincera, eu não aguento mais ver o meu grande amor sofrendo.
 Não é a melhor hora pra isso acontecer, ou talvez seja..sei lá, eu não sei mais o que pensar, o que fazer. Como uma amiga disse uma vez em situação parecida, é como um copo meio cheio, meio vazio...não ter o que fazer, não saber o que realmente vai acontecer, é uma angústia e imprevisibilidade constante. Quando eu penso que vamos no caminho A, o B surge e me deixa esperançosa. Quando acredito no B, volta pro A ou pula pro C.  A cena dos próximos capítulos tá na mão Dele, do grande autor da vida...só espero que tudo se resolva bem!

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Razão x Emoção

Quantas vezes eu já me peguei pensando se queria ter razão ou ser feliz. Difícil decidir qual dos dois vale mais a pena. Talvez seja porque em algumas vezes ser feliz importa muito mais do que ter razão. Mas em outras, a razão prevalece e a emoção fica de lado, esperando o momento certo pra entrar em cena novamente. Depois de muito pensar (e sofrer) sobre isso, passei a agir da seguinte forma: sem cobranças, sem desespero. A razão e a felicidade estão aqui, lado a lado, cabe a nós decidir em qual momento alguma impera. Sempre vai ter uma chance para o outro lado, sempre uma vai fortalecer a outra. Ser racional pode nos tirar a chance de ser feliz mesmo que por alguns instantes. Do mesmo modo que ser muito emotivo pode nos levar a cometer loucuras desnecessárias e que não trazem significado pra nossa vida. Buscar o equilíbrio é o que devemos. Nem tanto ao mar, nem tanto a terra, nem sempre racional, nem emotivo o tempo todo. 




Texto publicado no jornal O Dia da cidade de Barretos edição nº97 de 30 de Junho de 2012

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Força de um gigante.

 Uma das coisas que eu mais queria entender no mundo é em que parte da vida se perdeu tudo aquilo que gostávamos de fazer. Sai de férias na quinta, 21 e já vim correndo pra Barretos mas ver o meu Vô ruim acaba comigo de todas as formas possíveis. Sempre fui forte, sempre aguentei tudo sozinha e agora me vejo aqui, frágil e indefesa, chorando todo dia de ver o sofrimento dele. Engraçado como em um dia tudo acontece com ele: acorda muito confuso, fraco, no meio da tarde melhora, fica lúcido e a noite sonolento demais por conta dos remédios. Fiquei pensando em coisas que a gente fazia e não consegui entender quando exatamente meu Vô deixou de fazer tudo aquilo que ele gostava. Como era bom a época em que a gente jantava lanche ou pizza de cone, saia pra ir em um lugar e o único "problema" era segurar ele pra andar até a cadeira. Ir na feira todo sábado pela manhã na Variant vermelha dele só pra ir no porta-malas, ficar enrolando pra corrigir os jogos da loteria até ele ficar bravo, as brigas pelas contas de telefone ou quando eu fingia que não ouvia ele chamando, tudo isso dá uma saudade...Agora eu vejo ele aqui, sofrendo para tentar engolir qualquer coisa que dê, morrendo de vontade de comer as coisas e tudo tendo que ter cuidado para não engasgar ou não ser muito gelado. Todo cuidado com ele é pouco, tem remédio pra tudo, não deixa tomar vento nem gelado pra não pegar pneumonia, o peito carregado que não melhora...é uma agonia constante. Eu tô aqui, no meio disso tudo, completamente dividida...precisando que ele fique forte pra conseguir aguentar o próximo semestre de intercâmbio e odiando ver o sofrimento dele. Não que seja uma revolta diretamente com Deus, porque não é...mas queria muito entender o porquê de alguém que sempre trabalhou, que sempre foi ativo, ter que ficar assim...quase sempre deitado, confuso e fraco. Dói, não sei o que dói mais, o apego que não quer ir embora e não me deixa pensar no que pode estar por vir ou ver ele assim, fraco, confuso. E mais uma vez eu me vejo na situação de sempre, tendo que ser forte. No primeiro dia que eu estava em Barretos, no dia 22 eu criei coragem e fui contar pra ele do meu intercâmbio, talvez tenha sido a melhor conversa da minha vida inteira. Como ele mesmo me disse: preciso ter a força de um gigante. Só não sei cadê esse gigantismo, por enquanto, tô mais pra força de um gnomo.

terça-feira, 12 de junho de 2012

A felicidade fora dos padrões.

Como hoje, dia 12 de junho, é Dia dos Namorados, resolvi colocar algo relacionado com isso mas sem "escolher um lado": sem defender os namorados que vão se declarar hoje e nem ajudar os solteiros a se revoltarem contra essa data. Deixo uma crônica da Martha Medeiros (ela, como sempre.) que com seu texto sutil nos mostra que o importante é ser e estar feliz, sem regras e condutas pré-estabelecidas.

                                                            Sacanagem
 Esta é a semana dos namorados, mas não vou falar sobre ursinhos de pelúcia nem sobre bombons. É o momento ideal para falar de sacanagem.
  Se dei a impressão de que o assunto será ménages à trois, sexo selvagem e práticas perversas, sinto muito desiludi-lo. Pretendo, sim, é falar da sacanagem que fizeram com a gente.
  Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor pra valer, só acontece uma vez na vida, geralmente antes dos 30 anos. Não contaram para nós que amor não é racionado nem chega com hora marcada.
  Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade. Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: a gente cresce através da gente mesmo. Se estivermos em boa companhia, é só mais rápido.
  Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada "dois em um", duas pessoas pensando igual, agindo igual, que isso era que funcionava. Não nos contaram que isso tem nome: anulação. Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável.
  Fizeram a gente acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos.Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são caretas, que os que transam muito não são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto. Ninguém nos disse que chinelos velhos também tem seu valor, já que não nos machucam, e que existem mais cabeças tortas do que pés.
  Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade. Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustam as pessoas, são alienantes, e que poderíamos tentar outras alternativas menos convencionais.
  Sexo não é sacanagem. Sexo é uma coisa natural, simples - só é ruim quando feito sem vontade.Sacanagem é outra coisa. É nos condicionarem a um amor cheio de regras e princípios, sem ter o direito à leveza e ao prazer que nos proporcionam as coisas escolhidas por nós mesmos.
                                                                                                                 (Martha Medeiros)

Que esse dia seja doce, assim como o amor logo que descoberto. Feliz dia dos namorados pra todos, aproveitem a data!!!

sexta-feira, 8 de junho de 2012

"Como se não houvesse amanhã"

 Esses tempos aconteceram tantas coisas que me fizeram enxergar novamente a vida de uma maneira diferente. Talvez de tempos em tempos precisamos dessa reviravolta que Deus prepara para nos mostrar que a vida não é só da maneira que queremos, que não podemos ficar pensando que nada nunca vai acontecer com a gente ou alguém próximo. É muito engraçado quando esquecemos que dentro de nós existe um sistema que é frágil, que quebra e pode não se recuperar dos traumas sofridos. E quantas vezes nós vivemos sem pensar no amanhã? Quantos planos fazemos sem saber que esses não eram os planos de Deus? Tá aí uma coisa que minha Mãe vive falando "se os meus planos forem os planos de Deus". Na minha vida eu já aprendi isso, não deixo de planejar nada, afinal sem planejamento é quase impossível realizarmos algo mas eu sempre peço a proteção divina e tento não me revoltar tanto quando não acontece o esperado.
 Problemas que pareciam ser "grandes" se tornaram minúsculos, do tamanho de uma formiguinha. Que me desculpe quem fica se importando muito com orgulho e pirraça mas eu não tenho tempo para perder com isso, eu quero é ficar perto das pessoas que eu amo e me fazem bem. Se para isso eu tiver que passar em cima do meu orgulho, poxa, eu passo com o maior prazer. Não vou perder a chance de ficar mais um dia perto de quem tem significado para mim. Quantas vezes você já se arrependeu por não ter dito que amava alguém ou que esse alguém era especial na sua vida? Pois é, eu já perdi algumas..umas que sinceramente não me fizeram falta e outras que fico remoendo até hoje o porquê de não ter falado nada. Claro que na maioria das vezes, atitudes valem mais do que palavras mas não custa nada verbalizar aquilo que já está sendo demonstrado né?!
 Já dizia Renato Russo que "é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã". Creio que seja isso que falta nas pessoas, mais amor, mais declarações, mais demonstrações de afeto. Parar de pensar um pouco que sempre tem o dia seguinte para dizer aquilo que você gostaria, aproveite o hoje e o agora. 

 Eu sei que daqui um tempo é muito provável que não estarei praticando tanto tudo que coloquei aqui hoje mas aí, vem Deus mais uma vez me mostrar que eu preciso voltar a fazer. É um círculo vicioso em que você escolhe se aprende ou se sempre vai ficar sofrendo por arrependimento. Eu me propus a conseguir levar isso a diante ao máximo e sempre pensando que hoje, pode sim, ser o último dia, a última chance de dizer algo importante para alguém. 

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Algo loco


"As mais mirabolantes histórias de amor, as mais longas, as mais entranhadas, as mais aflitivas e ao mesmo tempo apaixonantes, não são exemplos de serenidade.
 Ela bate a porta com força e diz que vai morar em outro país, em busca de umas aventuras idealizadas que ela nem tem certeza se precisam mesmo ser vividas, e ele chuta o pobre do cachorro e passa três dias sem comer e sem dormir, então pede um dinheiro emprestado e vai atrás dela, não importa que não tenha nenhum endereço onde procurá-la, e ao chegar a Madri, que era o destino daquela desmiolada, e ele só sabendo dizer muchas gracias e nada mais, aceita a ajuda de uma menina de Londrina, Paraná, que trabalha no aeroporto e que malandramente colocou à disposição seu apê por uma noite, e como ele está morto de cansado e carente até a medula, aceita e acaba tendo um affair que já dura duas semanas com a paranaense, enquanto aguarda que a providência divina coloque aquela maldita fujona na sua frente, por quem ele segue apaixonado e sem saber que ela está lavando cabelos clandestinamente num salão de beleza de quinta categoria e mortalmente arrependida por ter saído do Brasil feito uma desatinada atrás de uma coisa que ela nem sabia direito o que era, a única coisa que ela sabe hoje é que ama aquele infeliz ciumento, mas até do ciúme dele ela sente falta, e enquanto morre de saudades escreve uns poemas de amor que ela tampouco sabe como fará chegar às mãos dele, já que telefonou e soube que o homem desapareceu no mundo, nem a mãe dele desconfia de onde ele se meteu, e ela teme que ele esteja bem longe, mais longe do que nunca esteve, e chora enquanto lava o cabelo de uma paranaense que apareceu por ali dizendo que precisa ficar bonita porque conheceu um brasileiro perdido no aeroporto e quer ver se consegue conquistá-lo, o que a fujona desaconselha veementemente, não invente de se apaixonar, a gente perde o senso, um dia gosta e no outro não tem certeza, é uma montanha-russa que nos desestrutura e no final das contas a gente faz uma besteiras como querer aproveitar a vida a qualquer custo, como se estando apaixonada não a estivéssemos aproveitando, e então o cabelo ficou lavado e as duas brasileirinhas trocaram um sorriso e antes que se despedissem já estavam combinando de comer juntas um feijão contrabandeado e a fujona prometeu aparecer no domingo para o almoço, quando então se reencontrou com aquele infeliz ciumento que ela havia abandonado e ali os dois brigaram feito cão e gato, ela chamando-o de galinha, ele chamando-a de inconstante, e diante da paranaense estupefata e do feijão esfriando na panela calaram-se com um beijo que quando terminar recomeçará a história de outro jeito.
 "Amor que no es algo loco, logrará poco". Provérbio espanhol. Verdade universal."
por Martha Medeiros



Tive uma identificação instantânea com essa crônica da Martha Medeiros, uma das autoras em que mais gosto. Talvez por estar numa fase parecida com essa, em que não se sabe direito o que quer, ter muitos planos para colocar em prática e o medo de algum outro interferir no principal. Mas no fim, seja o que Deus quiser. Sua proteção é o mais importante sempre.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Feliz Dia do Abraço!!

 Hoje, dia 22 de maio, é comemorado o Dia do Abraço. Um ato simples mas, muitas vezes, quase impossível de se obter. Tudo começou na Austrália quando Juan Mann deu início à campanha "Free Hugs" pelas ruas de Sydney; mostrando uma placa ele ia oferecendo abraços para todas as pessoas.  Com isso, ele conseguiu demonstrar que muitas vezes o que as pessoas precisam é desse ato simples e que pode melhorar o seu dia..um abraço pode sim mudar muita coisa.

O ato de ficar parcialmente entre os braços de outra pessoa, mais conhecido como abraço é uma demonstração de afeto, carinho e compaixão.
 Deixo aqui as minhas recordações de abraço... O da minha mãe, que sempre me acolhe em todo e qualquer momento, sempre com uma palavra carinhosa e um cafuné por fazer. O do meu Vô, que me faz esquecer todo e qualquer problema e só fico agradecendo à Deus por ter ele por perto. E dos meus cachorros, o Scott (coocker caramelo), que me acompanhou por cinco anos e eu abracei muitooooo. E do Theo, a minha bolinha de pelo que há quase dois anos aguenta todos os meus problemas e choros na hora de ir embora de Barretos.


Para quem ficou interessado sobre a campanha do Free Hugs, deixo aqui o site oficial da campanha.

Aproveitem essa iniciativa e a comemoração desse dia para tornar o ato de abraçar cada vez mais frequente em sua vida. 



           "Tudo o que você pensa e sofre dentro de um abraço se dissolve.." Martha Medeiros

         "Gosto dessa definição : Abraço é o encontro de dois corações" Cazuza






segunda-feira, 14 de maio de 2012

Heroínas do mundo moderno

 Quando o Dia das Mães vai se aproximando, tem início as campanhas publicitárias e maiores demonstrações de afetos. As mulheres evoluíram muito socialmente com a urbanização, maior escolarização e participação delas no mercado de trabalho, mudando assim as suas relações. Deixaram a maternidade para mais tarde e diminuíram a quantidade de filhos mas se dedicaram o dobro à sua carreira profissional e bem-estar pessoal. Aí então, começaram a surgir as "super-mulheres" afinal, ser boa mãe, profissional reconhecida e manter o corpo e a mente em dia não é uma tarefa fácil né?! Pelo menos pras brasileiras esse é o requisito básico para ser uma mulher realizada.

 Como homenagem, deixo a minha incondicional admiração pela mulher mais guerreira e linda que já conheci, a minha mãe. Uma mulher que com 28 anos de idade descobriu que tinha Artrite Reumatóide, que já colocou duas próteses no joelho e não deixa se abater de jeito nenhum com as dores quase que constantes na sua rotina. Além de tudo, ela cuida do meu Vô e vive sempre de bom humor. Quer maior exemplo de superação? Orgulho é pouco pro que eu sinto, agradeço à Deus todos os dias por ser filha dessa pessoa tão especial que me ensinou tanto.



P.S.: No fds eu cheguei de surpresa em Barretos pra minha mãe e acabou não dando tempo de postar no dia planejado.