sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Toledo, uma cidade apaixonante.

 Há onze dias fui visitar Toledo, uma cidade perto de Madrid ( 30 min de trem e aproximadamente 1h de ônibus) que já teve seus dias de "glória". A cidade relativamente pequena foi reconhecida por ser a capital, até que  Filipe II mudou a corte para Madrid. Com isso, houve um declínio nunca recuperado.
 Assim que cheguei em Toledo, tive a sensação de estar em uma cidade cenográfica, é tudo muito lindo e muito apaixonante. Um dia é suficiente pra conhecer os pontos turísticos da cidade. Como uma parte da cidade é montanhosa, uma boa dica é pegar aqueles ônibus "city tour" em que você pode descer em um determinado ponto e retornar o dia todo. É uma ótima maneira de conseguir ver tudo em um tempo bom e sem subir as ladeiras íngremes.
O ônibus "Toledo City Tour" por 8,00 euros você pode passear quantas vezes quiser por um dia.
 Uma das coisas mais bonitas de Toledo é a Catedral. Ela fica na Plaza del Ayuntamiento e para visitá-la inteira, paga 8,00 euros. Quem não quiser pagar, pode entrar em um pedaço pequeno, rezar um pouco e acender uma vela por 0,10 cents. No lado de fora da igreja, há a representação da Santa Ceia, veja em imagem abaixo:


Veja a cidade sendo cortada por uma curva do Rio Tejo: 

Inclua Toledo nos seus próximos planos de viagem, é uma cidade extremamente linda e em um única dia é possível conhecê-la.



terça-feira, 11 de setembro de 2012

O começo do começo.

 Depois de 12 dias aqui, posso dizer que já sinto que estou na "minha casa". Realmente não parece que faz tão pouco tempo que estou aqui..tenho a sensação de que já estou há mais de um mês! Aqui escurece lá pelas 22h e como o dia é longo, a sensação de ter mais tempo aqui é compreensível. As coisas são muito diferentes.. tem horas que não sei se algo tem no Brasil, se eu conheci aqui ou se já sabia. Aliás, depois vou tirar fotos e colocar algumas coisas como exemplo pra vocês verem...
 Em pouco mais de dez dias de intercâmbio eu já aprendi muitas coisas. Coisas pequenas que antes você não dava tanto valor, agora tem um significado enorme. Do mesmo modo que coisas "grandes" se tornam mesquinhas. Ter uma casa pra seis mulheres não é fácil, mas também não é muito difícil. Estamos nos dando bem e nos dividindo na limpeza. Uma regra básica para manter o respeito e a harmonia na casa: cada uma fazer o que realmente tem vontade. Se for fazer algo que não queira tanto pra na metade do passeio estar com cara fechada, não vá. Respeitar as diferenças é algo muito importante. Somos 2 paulistas e 4 baianas, há muita diferença cultural, muito respeito e muita afinidade. Quantas e quantas vezes não nos juntamos no quarto ou na cozinha pra ficar conversando e dar risadas...
 Eu tô aproveitando muito e agradecendo à Deus por estar aqui. Em uma fase difícil da minha vida eu tenho a oportunidade de estar conhecendo uma nova cultura e poder estudar aqui, em um país que sempre gostei muito. Alguns dias fico imaginando o quanto meu Vô deve estar orgulhoso por ver que a pequena dele teve a força de um gigante e chegou aqui, firme e forte (na medida do possível). Penso nele sempre, todos os dias e noites, sinto ele aqui perto de mim... o que me conforta muito! Ver que estou vencendo meus medos é algo que me deixa muito feliz e sei que orgulha aqueles que acreditam em mim... ter chegado até aqui, me deixa até emocionada! Só entendi e acreditei que moraria aqui por um tempo, quando consegui dar um ar de casa. 

domingo, 2 de setembro de 2012

Novo lar.

Há algum tempo eu venho relatando aqui a ansiedade em que estava ao pensar que meu intercâmbio estava chegando... Pois é, chegou e aqui estou eu, em Villaviciosa de Odón (cerca de 20min de Madrid)!!
Foi difícil me despedir de todos, aliás, nem consegui me despedir da maioria. Mas prefiro assim, despedida é algo muito chato... O aeroporto foi tranquilo, só foi meu pai e eu sabia que ele não iria chorar! As dez horas de voos foram MUITO cansativas..a poltrona que não ajudava, o tempo que não passava e o ipod que acabou a bateria!!! Aproveitei pra dormir né? Depois de andar muito conseguimos pegar as malas e encontrar as meninas da Go Tour (agência) para ir pro ônibus e vir pra Villa. Chegando em Villa, o motorista do ônibus nos largou no meio da rua e tivemos que descer com todas as malas!!! Foi um caos.. chegamos na imobiliária e ficamos quase duas horas esperando pra assinar o contrato. Sorte que a nossa casa é bem do lado. Enfim, escadas e malas não combinam muito bem. (ainda mais quando meu pai não está incluso nisso) hahaha
 O primeiro dia foi um pouco estressante por conta da casa e coisas que a imobiliária ainda não tinha arrumado. Mas ok, o começo é sempre mais complicado. Estou em uma casa com mais 5 meninas mas ainda falta chegar uma. Somos eu, Aline, Andrea, Mari, Sabine e a Jéssica que ainda não chegou. 
Pouco a pouco estamos arrumando tudo, divido o quarto com a Aline, estamos esperando instalar o guarda-roupas mas já fomos organizando as coisas para dar uma cara de "casa" e não de viagem. Ainda não chegou a internet na nossa casa, então vou no locutório ou venho na casa das minhas amigas que já tem. Mas voltamos ao fato de que início é tudo mais difícil.
 A cidade é linda, pequena e aqui, a maioria das pessoas ainda pratica a "siesta" que é assim: das 13:30/14h até 17:30/18h as lojas fecham para a soneca depois do almoço. O horário ainda é um pouco confuso pelo fato de escurecer muito tarde e ainda me perco muito...  Amanhã já temos aula na faculdade e é bom que vamos ver como é..
 Já fui uma vez pra Madrid, lá é lindo também..tudo parece um sonho! E ah, claro que não ia deixar de falar isso..as roupas na maioria são muito baratas aqui.. tem um tempo de rebajas (liquidação) aqui, pena que chegamos bem no fim hahaha Mas ainda deu pra aproveitar algumas coisas...
 De resto, esse é o tempo de adaptação em tudo. Comida, costumes, horário, clima... pouco a pouco vou me acostumando com tudo isso! 

Plaza Mayor em Madrid


segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Sonhos, realidade e saudade.

Fiquei pensando hoje de manhã nessas férias e olha, tiro o chapéu pra você, férias! Me pregou uma peça que não teve nem graça, que me tirou um pouco do chão e como sempre, tive que me reerguer em tempo mínimo. O maior aprendizado das férias foi que o amor resiste a tudo e tem várias maneiras de senti-lo. O  meu amor pelo meu Vô é algo tão grande que eu consigo ter o entendimento de que foi melhor assim. Claro que a saudade dói, claro que eu tenho crises alguns dias. É algo normal.. Algumas pessoas são tão maldosas que deixam perguntas anônimas no ask.fm falando sobre o rodeio e relacionando o nome do meu Vô. Eu até pensei no começo, logo que tudo aconteceu, como seria esse mês, se eu teria condições emocionais de ir, se eu ia querer ir e resolvi "deixar o rio correr". Acontece que eu nunca fui uma pessoa triste, que se descabela em meio a uma situação complicada. Ao contrário, é nessas horas que eu junto as minhas forças e me supero. O meu Vô me conhece como ninguém, ele sabe que tristeza não combina com a Mariana dele. Ele sabe que eu não faria algo se não me sentisse bem e é isso que eu tô fazendo. Eu tô bem, pra que vou ficar fingindo que não?
Essa semana começou com gostinho de despedida. É estranha essa situação, querer que o tempo pare e ande rápido ao mesmo tempo. O desconhecido assusta um pouco né? Outro país, outra cultura... assusta mas eu tô pronta. Eu prometi que eu seguiria a minha vida e ficaria bem e o que eu prometo, eu cumpro. Ainda mais para o grande amor da minha vida. Obrigada meu Deus, por ter atendido meus pedidos, mesmo que tenha sido de uma forma meio conturbada. Ao menos assim eu vou com a cabeça tranquila. Eu perdi o meu Vô fisicamente, mas ganhei uma estrela. Ainda sinto o amor aqui, vibrando, forte como sempre. A maior falta são os carinhos, o abraço pela manhã, o bom dia animado...mas eu sei que eles estão aqui, bem do meu lado, comigo o tempo todo. Não vou desistir do meu sonho e não vou deixar de seguir a minha vida... Eu não faria algo que fosse contra o que eu estou sentindo no momento e que magoaria meu Vô de alguma forma. Eu só me importo com a opinião de pessoas que valem a pena e eu sei que estou sendo motivo de orgulho para elas, principalmente por em momento algum ter desistido de tornar o meu sonho em realidade. 

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Mais da metade cheio

Deus atendeu o meu pedido, levou o meu infinito pro lugar que ele merece. Não sei bem o porquê mas eu tinha certeza de que isso aconteceria na sexta e aproveitei a quinta pra ficar com ele no hospital por um bom tempo. Aproveitei o meu último dia, não que eu queira ficar lembrando desse dia, pq as lembranças que eu quero não envolve essa última semana de sofrimento. Mas foi assim, a nossa ligação não acabou..nosso amor então, impossível de acabar. Por incrível que pareça, eu tô bem! Ainda brinquei que parece que já faz um mês, não sinto mais aquela dor sufocante..talvez por ter chorado tudo que eu precisava no velório. Agora tá uma saudade gostosa, uma vontade de dormir pra sonhar com ele. Mudar a sala de tv e o quarto dele foi um ponto importante, deu uma amenizada. É engraçado que tudo lembra ele, a casa ainda respira Bismark e vai respirar por um bom tempo. Na hora que foi acontecer, eu mandei uma mensagem pra uma amiga dizendo que Deus podia levar ele logo e cinco minutos depois, Ele me atendeu. Pra sair de casa, o Theo começou a chorar..pois é, cachorro chorando; uma lágrima saindo do olho direito dele que cortou meu coração. Eu fui pra lá achando que era só os batimentos baixos e o balão de oxigênio, que nada...eu já sabia  o que tinha acontecido. E como era de se esperar, ele não me deixou ver. Foi antes que eu chegasse...
E como dói aquele momento...uma dor sufocante, parece que falta o ar, que cortaram meu coração. Depois eu fui amenizando, a noite só tinha uns picos e a madrugada foi tranquila. Agora eu me apego nas lembranças boas e tô me cuidando, como eu sei que ele gostaria que eu fizesse. Cada dia é um dia e as forças tão aumentando conforme o tempo passa. Eu não perdi o meu amor, ele só passou pro outro lado. Eu ganhei um anjo, alguém que vai me guiar sempre. Não deixei de pedir bença quando vou sair, a diferença é que eu não escuto a resposta mas sei que tá me protegendo. Talvez o sentimento de dever cumprido esteja ajudando a me confortar, hoje eu posso dizer que não me arrependo de nada que perdi pra ficar com ele. Nenhuma festa, churrasco, bar...valeu muito a pena não poder ter ido em alguns pq tinha que dar banho nele ou ficar olhando. Se fosse possível, eu faria tudo de novo e de novo e de novo...

Lembranças de uma vida toda, dos sábados indo na feira, das épocas de Festa do Peão em que ele me ensinava os versinhos e dançar catira pra fazer na escola, de ouvir Nelson Gonçalves e Dalva de Oliveira pra ele cantar, de fazer macarrão com bastante molho pra ficar do jeito que ele gostava, de comer pamonha e curau, de brigar quase todo dia pq ele deitava no chão pra fazer exercícios e por último, de ter mostrado o meu primeiro telejornal e ver a carinha de orgulho dele...ô saudade!!!

Obrigada meu Deus, por ter atendido os meus pedidos. Por mais que doa ficar sem ele, dói muito mais ver sofrendo. Obrigada a todos que ficaram comigo nesse momento difícil...aos que foram, aos que ligaram, aos que mandaram mensagem, aos que estão longes mas de alguma forma falaram comigo. Obrigada pela família que eu tenho, essa que está cada vez mais unida, que a morte do meu Vô não abalou em nada, ao contrário, só nos fortaleceu e uniu.

Obrigada por ter me dado a chance de passar esses quase 20 anos com uma pessoa incrível que era o meu Vô, o meu mecânico, meu jogador da Portuguesa mais conhecido como Cabecinha que sabia que faria o gol e nem olhava pra trás, com o meu maior amor do meu mundo, o meu infinito.

De onde quer que você esteja, eu só posso te agradecer por tudo, por ter me feito quem eu sou, por ter me ensinado tantas coisas e por estar sempre ao meu lado. Por você, como eu prometi, eu fico bem e continuo a minha vida.

"Naquela mesa tá faltando ele e a saudade dele tá doendo em mim"


                     

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Cheio ou vazio???

 Eu sei que um dos últimos posts foi sobre o meu Vô, mas a vida é engraçada, como sempre dá umas reviravoltas que você não imagina que pudesse acontecer. Há uma semana atrás, eu tava indo pra SP pra tirar meu visto e na quinta, meu Vô passou mal. Cheguei na sexta, sem saber de nada e no sábado ele internou. De lá pra cá, só aflição e angústia. Estranho como em um mês ele passou do alto da montanha ao fundo do mar, há um mês atrás eu estava contando do intercâmbio e hoje me vejo aqui, sem saber quais os próximos capítulos dessa novela onde os espectadores não veem a hora de terminar.
 Sempre que eu pensava sobre esse momento, eu imaginava uma Mariana sem chão, sem estrutura e frágil. Hoje, que infelizmente eu estou vivendo esse momento, eu vejo uma Mariana que surpreende até a mim mesma. Não sei de onde vem força, garra e vontade que esse tormento acabe.
 Quase uma semana que parece um mês, é assim que defino esse tempo. Aliás, um dia já parece uma eternidade. Essa enrolação dos médicos, essa história de não ter o que fazer, só ficar ali, olhando...acaba comigo por dentro! Por dentro, porque por fora eu tô aqui, firme e forte pra ele ver que eu tenho a tal força de gigante. Quem diria...meu Vô me conhece mais do que eu mesma, ele já sabia que eu aguentaria o tranco, que a tal força de gigante que ele me disse há um mês atrás apareceria e não me deixaria esmorecer.
 E mais uma vez, ele me ensinou uma lição super importante...a de entregar à Deus aquilo que eu mais amo. Eu não sei quantas vezes pensei nisso e achava que não daria conta, até que o momento chegou e eu dei, consegui entregar de coração. Consegui pensar que o melhor seja feito e pra ser sincera, eu não aguento mais ver o meu grande amor sofrendo.
 Não é a melhor hora pra isso acontecer, ou talvez seja..sei lá, eu não sei mais o que pensar, o que fazer. Como uma amiga disse uma vez em situação parecida, é como um copo meio cheio, meio vazio...não ter o que fazer, não saber o que realmente vai acontecer, é uma angústia e imprevisibilidade constante. Quando eu penso que vamos no caminho A, o B surge e me deixa esperançosa. Quando acredito no B, volta pro A ou pula pro C.  A cena dos próximos capítulos tá na mão Dele, do grande autor da vida...só espero que tudo se resolva bem!

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Razão x Emoção

Quantas vezes eu já me peguei pensando se queria ter razão ou ser feliz. Difícil decidir qual dos dois vale mais a pena. Talvez seja porque em algumas vezes ser feliz importa muito mais do que ter razão. Mas em outras, a razão prevalece e a emoção fica de lado, esperando o momento certo pra entrar em cena novamente. Depois de muito pensar (e sofrer) sobre isso, passei a agir da seguinte forma: sem cobranças, sem desespero. A razão e a felicidade estão aqui, lado a lado, cabe a nós decidir em qual momento alguma impera. Sempre vai ter uma chance para o outro lado, sempre uma vai fortalecer a outra. Ser racional pode nos tirar a chance de ser feliz mesmo que por alguns instantes. Do mesmo modo que ser muito emotivo pode nos levar a cometer loucuras desnecessárias e que não trazem significado pra nossa vida. Buscar o equilíbrio é o que devemos. Nem tanto ao mar, nem tanto a terra, nem sempre racional, nem emotivo o tempo todo. 




Texto publicado no jornal O Dia da cidade de Barretos edição nº97 de 30 de Junho de 2012